Os dois vizinhos

Existem duas pessoas que são vizinhas e com uma certa coincidência elas gostam de se sentar durante as tardes em seus quintais para observar a paisagem e o movimento. O muro que separa a casa de um com a do outro é baixo, na altura da cintura. Acima do muro existem grades de ferro, que mais se parecem com a parte imóvel de um portão, como aquelas que ficam de frente à rua. Assim, mesmo um vizinho não conseguindo invadir a casa do outro por conta da altura do muro, eles ainda conseguem se ver e conversar.

As tardes são tranquilas, pouco movimento. De vez em quando passa um carro na rua, algumas motos barulhentas e quase ensurdecedoras, assim como algumas pessoas, incluindo crianças. O ambiente é fresco e o vento se revela com uma certa frequência. Há algumas nuvens claras no céu, num movimento calmo, despreocupado e indeciso. Está longe do final da tarde e há poucos pássaros cantando. O único som é o do balançar das poucas árvores por conta do vento.

Um dos vizinhos, passa mais tempo aproveitando essas tardes sentado em seu quintal do que o outro, e este outro, por alguma razão, está sempre se movimentando no quintal. Algumas vezes dá pra ouvir ele resmungando. Por algum motivo, ele fica no “entra e sai” de casa e quintal. Parece que ele sempre está consertando alguma coisa ou incomodado com algo. Sempre há buracos recentes em seu jardim e rebocos frescos nas paredes. Está sempre em movimento. Mas, nesse dia, ele decidiu que após concluir seu tão importante serviço, iria descansar um pouco em seu quintal. Está uma tarde incrível, disse o vizinho hiperativo ao calmo. O outro, concordou. Trocaram algumas rápidas ideias e após isso se acomodaram em seu lugar; por fim, se silenciaram.

Imprevisivelmente, um grupo de moleques, chamados pensamentos, se aproximaram da casa do vizinho calmo e começaram a provocá-lo. Sem razão nenhuma, xingaram ele. O homem calmo, em seu lugar, não os deu a devida atenção que queriam. Começaram a tacar pedra em sua casa, embora, ainda com bom senso, miraram longe do senhor para não atingi-lo. Após isso, correram para longe e riram bastante da situação. O vizinho hiperativo, perguntou ao outro: “por que você não fez nada? Se você deixar eles fazerem isso com você, amanhã eles vão fazer isso de novo, e de novo…”. Que venham então, o respondeu. O hiperativo ficou sem entender a situação. Um absurdo! Se fosse com ele, ele não deixaria de graça; teve esse pensamento.

No dia seguinte, aconteceu de novo, mas dessa vez o hiperativo não quis tirar satisfação, porém permanecia em sua posição. Se não é comigo, e ele não se importa, então não devo me importar também. Mas, algum tempo após terem vindo novamente, ao invés de atacarem o vizinho calmo, dessa vez vieram contra o vizinho hiperativo. Este, parece que conseguiu prever a situação. Foi só vê-los se aproximarem de sua casa com as mãos cheias de pedra que ele já se levantou e se preparou para tirar satisfação com esses desgraçados. Os moleques tinham medo dele, mas isso não os impediu de tacarem as pedras e saírem correndo. Enfurecido, ele até tentou segui-los, mas sua resistência física não pode se comparar à dos jovens, então falhou. E assim permaneceu por vários dias, pois, os moleques eram espertos e vinham em horários diferentes e bastante alertas. Assim que notassem a presença dele já saíam correndo, algumas vezes nem dando tempo de jogarem pedras. No entanto, houve um dia que tacaram tijolos na casa do hiperativo e isso o deixou profundamente enfurecido. Sabendo que não conseguia muito fazer algo em relação a tudo isso, descontou toda sua raiva em seu jardim, destruindo-o. Por que esses desgraçados vêm só aqui? Se perguntou, numa tonalidade relativamente alta, o suficiente para que o outro vizinho ouvisse. Este, respondeu:

“Assim como o vento que passa por você, vai embora e pode causar uma sensação boa em seu corpo, haverá entidades nesse mundo que provocarão sensações ruins também. São inevitáveis. Apenas observe esses garotos e permita que eles passem em sua vida, como o rio que fluí numa correnteza. Eles são apenas uma sujeira em seu rio, que irão passar de um jeito ou de outro; não os impeça. Não aja como se fosse uma barricada ou um filtro.”


Aceitação não é resignação. A metáfora se trata de pensamentos e não de arruaceiros.

Como a imaginação pode tornar as coisas um terror psicológico

Uma tendinite, que nada mais é que uma inflamação num tendão, acontece quando usamos o corpo excessivamente. Em outras palavras, passar dos limites. Porém, nem sempre alcançar o limite é motivo de tendinite. Esse é o meu caso. Um pequeno problema num osso do quadril estava causando a tendinite em mim enquanto eu andava de skate. De qualquer forma, a tendinite precisava ser tratada e uma das formas de recuperação além do simples fato de parar as atividades temporariamente, é fazer fisioterapia.

A clínica ficava a uns 2km da minha casa e, levando em consideração que sou muito hiperativo e não gosto de incomodar àqueles que poderiam me levar de carro, eu ia de bike mesmo. Os três primeiros dias foram simples: alguns alongamentos, exercícios simples para fortalecimento de algumas regiões da perna e por fim uns 20 minutos “tomando choque” num aparelho estranho que possui um nome relacionado com ultrassom. Basicamente, A fisioterapeuta grudava na região onde era necessário aplicar o aparelho alguns fios, mas passava um gel naquela parte antes. Depois, ligava o aparelho e então eu começava a sentir os choques. De alguma forma, esses choques aliviavam a dor e auxiliava na recuperação da inflamação do tendão. Simples, né? Porém preciso deixar um pequeno detalhe mais… visível.

Talvez você tenha percebido que eu propositalmente deixei claro que era UMA fisioterapeuta, e não UM. Sim, uma mulher. E… se você reparar bem, deixei claro que a região onde deveria ser aplicado o choque, era o quadril. E… se você pensar bem, vai reparar que para aplicar o aparelho numa região como o quadril, você precisa tirar as calças. Na realidade, não tenho nenhum problema com isso. E nem acredito que você também tenha, a menos que você seja uma pessoa extremamente ansiosa ou tímida. Assim, sempre encarei tudo com normalidade. Funcionava assim, em boa parte das vezes: a fisioterapeuta saía da sala por alguns instantes, eu tirava a bermuda, deitava na maca e colocava um pano sobre minhas pernas. Ela entrava na sala e colocava os fios apenas levantando as beiradas do pano. Existe algum problema nisso? De forma alguma. Agora, eis a prova de que um pensamento pode acabar com tudo!

Certo dia, indo para a fisioterapia, um pouco distraído, surgiu um pensamento. Esse foi um pensamento que me aterrorizou durante as próximas sessões de fisioterapia e só neutralizou nas últimas sessões. Não consigo dizer com exatidão o pensamento, porque além de não lembrar perfeitamente, não vai ser muito legal, mas foi mais ou menos assim: “e se eu, acidentalmente, ficasse excitado enquanto ela colocava os fios em mim?”. Isso acabou comigo, comecei a suar frio. Se você for mulher isso fica invisível para a outra pessoa, mas se você for homem, o pano flutua. Eu mantinha a calma em todos os momentos, mas quando chegava a hora em que ela precisava aplicar o choque do demônio em mim, eu ficava instável e nervoso. Parece que minhas tentativas de não trazer nenhuma imagem sexual à mente era exatamente o que acabava acontecendo. FELIZMENTE, nessa época tinha aprendido a como se manter profundamente calmo e com a mente limpa, mas ainda era um bebê no assunto, e ainda sou. Então comecei a olhar para o teto e apenas observar a cor, a textura e… sujeira. Deu certo, mas decidi olhar para o lado, onde estava a fisioterapeuta. A bunda dela estava estampada na minha cara, pois ela estava inclinada em direção ao aparelho, ajeitando ele. Caralho. Olha pro teto de novo. Olha pra sujeira. Observa a respiração. E assim minha mente se mantinha limpa. Mas a fisioterapeuta, novamente, não queria me ajudar nisso, pois afinal, ela nem sabia o que acontecia.

“Agora vou passar o gel, tá? Fernando?”, disse ela, escorrendo o gel do pote para a mão dela. Nesse rápido momento, se você entende das coisas, talvez possa imaginar algo, sabe como é, né? Novamente, olhei pro teto. Por algum milagre, consegui manter a calma e o pano ficou reto. Minha dica para você é: ou você aprende logo a se manter calmo e com a mente limpa, ou você vai levantar o pano.

Resenha – o livro mais importante que já li: O poder do Agora

INTRODUÇÃO

Há alguns anos, através de desenhos, filmes, músicas, tenho captado a ideia de que o agora era tudo que eu tinha e que ele era a coisa a mais importante na minha vida. Mas eu, ou você, acha mesmo que vamos mudar, por completo, após alguém dizer “ei, comece a enxergar mais o agora em sua vida, você vai ver como sua vida vai melhorar”? A resposta é: depende do quanto você se dedicar a isso. Mas no fim das contas, é muito provável que nenhuma mudança de verdade aconteça, isso porque estamos acostumados a não apenas acreditar, mas também entender algo, que esteja facilmente visível. Por exemplo, você por acaso sabe como funcionam, detalhadamente, cada peça de um computador, celular ou até mesmo uma TV? A menos que você seja uma pessoa envolvida com a área de tecnologia, a resposta é quase sempre não. Ironicamente, você percebe que consegue ligá-los e usá-los, e muitas vezes com bastante facilidade. Em outras palavras, não costumamos a dar atenção a coisas simples e que possuem uma existência quase oculta por inteiro.

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Eckhart Tolle

Trazendo tal analogia para o contexto do livro, você sabe o que é passado, presente e futuro, sabe falar deles e assuntos que estão envolvidos com eles, mas talvez não consiga com precisão encontrar seus reais significados. Isso porque tais conceitos são muitas vezes encarados como subjetivos, isso é, cada pessoa acha que é uma coisa. E de certa forma, são subjetivos. Mas assim como um profissional da tecnologia pode passar uma informação incorreta, imprecisa ou vazia sobre as peças de um aparelho eletrônico, uma pessoa pode falar abobrinhas a respeito de assuntos gerais da vida, aqueles infelizmente considerados filosóficos (não gosto dessa palavra). Essa é a essência de O poder do Agora: tratar de assuntos que não damos muita ou qualquer atenção, em especial àqueles que estão a nossa disposição a qualquer momento, isso é, exatamente agora.

 

PENSAR, um mal oculto

Quando ainda somos crianças, estamos desenvolvendo nosso corpo e aprendendo a respeito de nosso mundo. Um desses desenvolvimentos é o ato de pensar. Gosto de pensar que o ato de pensar é diferente com o de raciocinar. Assim, pensar, em minha concepção, estaria relacionado ao ato de “fazer aquilo quando falamos conscientemente através da mente”. Através do ato de pensar, conseguimos ser capazes de raciocinar: “se eu atirar numa pessoa, talvez ela morra” é uma boa mistura do ato de pensar com o de raciocinar. Essa nossa habilidade única, por mais que seja em boa parte responsável pela criação de coisas importantes, em especial nossa sobrevivência, ela é uma arma destrutível em grande potencial. De acordo com o autor, o motivo das milhares de mortes de pessoas por conta das guerras é causado por pessoas completamente dominadas pelas suas mentes. Ela mesma causa sofrimento a si própria e, como consequência, àqueles que estão a seu redor.

Tudo começa quando pegamos o vício de pensar. Pensamentos como “eu preciso lavar a louça”, “daqui a pouco faço aquilo”, “isso é incrível”, etc. Pois é, você provavelmente já fez isso na sua vida, assim como eu. Até aí, não existe nenhuma maldade, mas existe o potencial. Isso porque cedo ou tarde, talvez aconteça algo ruim em sua vida, particularmente aqueles que possuem grande intensidade emocional, e comece a pensar “minha vida é um lixo”, “eu sou desprezível”, “não sou bonito(a)”, “acho que vou me matar”, “odeio as pessoas”, “juro que vou matar aquela pessoa e me vingar”. Os resultados, variam de pessoa para pessoa, e o grande motivo da real maldade nesse mundo está no ato de ser controlado pela própria mente.¹

 

EMOÇÕES ruins, aceitação

Todo mundo um dia experimentou medo, raiva, ansiedade, culpa, desespero, entre várias outras emoções negativas. Isso existe e nada que você faça vai mudar. Não há para onde fugir. Muitas pessoas passam por tais experiências eventualmente, e essas são as pessoas que menos dão atenção ao assunto. No entanto, outras pessoas, não só passam por isso quase que diariamente, como experimentam-nas muito intensamente. Inclusive, aqueles que passaram por grandes sofrimentos emocionais são os que mais terão proveito com esse livro. Doenças como síndrome do pânico, depressão, fobias, entre outras, nascem não só do ato de pensar descontroladamente, como estar sujeito a tais emoções. Existe um método que é capaz de dissolver por completo qualquer tipo de sofrimento causado por tais emoções, e ele está disposto exatamente Agora, para todos. Eu e você possuímos isso dentro de nós. Tal método, é responsável por permitir que você encontre a verdadeira paz. O que é paz para você? Ser feliz? Você acha que vai ser feliz todos os dias? Você vai ser feliz quando contrair uma doença ou experimentar um acidente? Provavelmente não. Mas você consegue estar em paz nesses momentos? Sim. Pensa que é impossível? Tudo consiste em dar atenção a este momento e aceitá-lo, independente do que for. Mas como fazer isso exata e detalhadamente? Esse livro responde o como.

 

CONCLUSÃO, pontos menos importantes

Como disse na introdução, este livro procura abordar detalhadamente e com bastante precisão assuntos que estão praticamente ocultos da nossa percepção. Na verdade, as coisas sempre estão lá, mas somos nós que não percebemos. Uma das coisas principais é o Agora. Religião, guerras, amor, felicidade, tristeza, entre outras emoções (polaridade emocional), compaixão e comunhão (muito bem abordado), o conceito de Deus, algumas interpretações das passagens de Jesus na bíblia, tempo, espaço, comunicação interpessoal, entre alguns outros assuntos, são abordados de maneira considerável. Mas boa parte não são o foco do livro, são apenas assuntos secundários e conexos.

Quer uma melhor qualidade de vida? Sofre ou sofreu muito por conta de emoções? Não sabe como parar de pensar? Acredita que tal vício lá no fundo possa ser destrutivo para você e para as pessoas próximas a você? Acredita que a raiva, medo ou qualquer tipo de sofrimento seja contagiante? Procura se sentir bem com si mesmo? Acredita na possibilidade de que a verdadeira paz nesse mundo só existirá através da paz interior existente numa pessoa primeiro? Está disposto a uma mudança radical em sua vida? Normalmente agora viria o “se a resposta for sim…”, mas a verdade é que, se a resposta também for “não” para tais perguntas, você deve ler esse livro. O conhecimento existente nele, é o que trará uma profunda sabedoria à você. No final disso tudo, você perceberá que é apenas uma introdução… que há muito a aprender, e que nunca é tarde para começar.

¹Talvez o que eu diga aqui possa parecer vago em alguns pontos, mas a verdade é que é difícil falar sobre tais assuntos com precisão. Os verdadeiros sábios, como o autor, são chamados de mestres espirituais. Estou bem longe de ser um. Nem sei se é meu objetivo. De qualquer forma, se você se sentir inconfortável com algumas afirmações minhas, considere ler o livro, pois elas são fundamentadas nele. E como qualquer iniciante num assunto, posso falhar.

Silêncio…

Faz bastante tempo que não faço uma postagem decente aqui e o motivo é uma mistura de preguiça com prioridade em outras tarefas. Me silenciei um pouco. A propósito, vamos falar sobre silêncio?

O silêncio apenas existe na ausência de um som. Isso é óbvio. Mas você já tentou ter consciência disso? Veja, como você saberia o que é o silêncio se não houvesse nenhum som nesse mundo? Haveria apenas o silêncio, mas você não o conheceria, porque nunca houve um som. Talvez você o reconheceria inconscientemente, mas não saberia descrevê-lo com precisão. Ou seja, é melhor dizer que o silêncio existe entre a ausência de um som e outro. Meio estranho, né? Mas o que realmente importa nesse conceito todo, é tentar identificar o silêncio entre os sons, pois isso é uma atividade extremamente poderosa em termos de meditação. A propósito, hoje, e quero deixar registrado dia, 19 de outubro de 2016, termino o livro que acredito que foi, e talvez seja para sempre, o mais importante que li. Ele tem uma pequena relação com a meditação, mas está bem longe de ser isso, bem longe. Estou tão empolgado com isso que o próximo post vai ser uma resenha dele, cujo objetivo vai ser tentar atingir você.

Ir pra pista de skate, de skate

Não é nem um pouco comum eu ir para a pista de skate, ou melhor, a Vila Olímpica, de skate. Isso porque a distância da minha casa até lá é de uns 6 a 7km, assim eu acabaria chegando lá bem cansado. Felizmente, com o passar dos anos, a gente acaba desenvolvendo uma rota perfeita que tem apenas ruas lisas, amenizando os efeitos da maratona. Pra ser sincero, esse vídeo é algo bem inútil, mas foi divertido.